segunda-feira, 28 de março de 2011

Realismo

Realismo é a denominação genérica da reação aos ideais românticos que caracterizou a segunda metade do século XIX. De facto, as profundas transformações vividas pela sociedade européia exigiam uma nova postura diante da realidade; não havia mais espaço para as exageradas idealizações românticas.Portanto, o Realismo tem de ser analisado a partir de um novo ponto de referência: a Europa vive a segunda fase da Revolução Industrial, ao mesmo tempo que conhece o desenvolvimento do pensamento científico e das doutrinas filosóficas e sociais. Essas transformações servem de pano de fundo para uma reinterpretação da realidade, que gera teorias de variadas posturas ideológicas. Numa sequência cronológica, temos:- Positivismo de Augusto Comte, preocupado com o real-sensível, com o facto, defendendo o cientificismo no pensamento filosófico e a conciliação entre “ordem e progresso.


Citação de Eça de Queirós:


"O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; - o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houver de mau na nossa sociedade".


Eça de Queirós


José Maria de Eça de Queirós

Nasceu numa casa da praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro da cidade; Foi baptizado na Igreja Matriz de Vila do Conde.

Filho de José Maria Teixeira de Queiroz e de Carolina Augusta Pereira d'Eça.

Foi baptizado como "filho natural de José Maria D'Almeida de Teixeira de Queiroz e de Mãe incógnita".De facto, seis dias após a morte da avó que a isso se opunha, casaram os pais de Eça de Queirós, já o menino tinha quase quatro anos. O menino foi entregue aos cuidados de uma ama , pois ficou com a senhora, até passar para a casa de Verdemilho em Aradas, Aveiro, a onde tinha morado paterna que em 1855 morreu.

Nesta altura foi internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra onde estudou direito.Além do escritor, o casal teria mais seis filhos.

Em 1869 e 1870, Eça de Queirós viajou ao Egipto e visitou o canal do Suez que estava a ser construído, que o inspirou em diversos dos seus trabalhos, o mais notável dos quais o “O mistério da estrada de Sintra”e, em 1870, e “A relíquia”, publicado em 1887. Em 1871 foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino.

Aparentemente, Eça de Queirós passou os anos mais produtivos de sua vida em Inglaterra, como cônsul de Portugal em Newcastle e em Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, “A Capital”, escrito numa prosa hábil, plena de realismo.

Suas obras mais conhecidas,” Os Maias” e “O Mandarim”, foram escritas em Bristol e Paris respectivamente.

Seu último livro foi “A Ilustre Casa de Ramires”, sobre um fidalgo do séc. XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza de sua linhagem. É um romance imaginativo, entremeado com capítulos de uma aventura de vingança bárbara ambientada no século XII, escrita por Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista. Trata-se de uma novela chamada A Torre de D. Ramires, em que antepassados de Gonçalo são retratados como torres de honra sanguínea, que contrastam com a lassidão moral e intelectual do rapaz.

Morreu em 1900 em Paris. Seus trabalhos foram traduzidos em aproximadamente 20 línguas.

Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925. Fradique Mendes, aventureiro fictício imaginado por Eça e Ramalho Ortigão, aparece também no Mistério da Estrada de Sintra.

Frei Luís de Sousa - Resumo

Acto I

A acção desenrola-se numa sala do palácio de D. Manuel de Sousa Coutinho, ondepredomina a elegância e o luxo.A peça inicia-se com o monólogo de D. Madalena, que reflecte sobre os amores dePedro e Inês. Esta reflexão associa o amor de D. Madalena por Manuel de Sousa Coutinho aomito do amor infeliz e trágico.D. Madalena e Telmo conversam sobre a condição social de Maria e a sua saúde eMadalena pede a Telmo que tenha consciência do que o regresso de D. João podia significarpara Maria, que não lhe diga nada ou não lhe proporcione qualquer leitura, que excite a suaimaginação e possa sustentar a sua crença sebastianista.Jorge traz notícias de Lisboa: os governadores espanhóis desejam deixar a cidadedevido à peste, e que estes haviam escolhido a casa de Manuel Coutinho para se instalarem.Manuel de Sousa Coutinho chega de Lisboa e transmite à família a sua decisão de semudar para a casa que pertencera a D. João de Portugal.D. Madalena resiste à ideia, mas acaba por cumprir a vontade do marido.Num acto patriótico Manuel Coutinho ateia fogo ao palácio de forma a evitar que os governadores espanhóis se instalem em sua casa.


Acto II


O segundo acto decorre num salão do palácio de D. João de Portugal, situado emAlmada.D. Madalena está doente há oito dias, desde que chegara ao palácio de D. João.Manuel de Sousa Coutinho está escondido numa quinta, receando represálias por parte dosgovernadores espanhóis.Entretanto, Maria pede a Telmo que identifique o retrato de D. João de Portugal, o queTelmo se recusa a fazer. É o seu pai que chega e revela a Maria a pessoa representada noquadro.Frei Jorge chega ao palácio e comunica a seu irmão que os governadores tinhamresolvido esquecer a sua atitude, a pedido do arcebispo.Manuel de Sousa Coutinho aceita a proposta do irmão e decide ir a Lisboa receber oarcebispo, como acto de agradecimento. Maria vai com o seu pai.D. Madalena fica sozinha com frei Jorge. Miranda, um criado, interrompe a conversa eanuncia a chegada de um romeiro, que deseja falar a D. Madalena.D. Madalena recebe o Romeiro e apesar de não reconhecer a sua identidade,apercebe-se da desgraça da sua situação.


Acto III


A acção decorre na “parte baixa do palácio de D. João” que comunica, por uma porta, com a capela da Senhora da Piedade.Maria chega doente de Lisboa. Manuel Coutinho toma do conhecimento do regresso de D. João de Portugal e éatormentado por um grande sofrimento, sobretudo em relação ao destino da filha, cuja saúdeinspira cuidados e se encontra numa situação de ilegitimidade.Manuel Coutinho decide tomar o hábito, o que D. Madalena acaba por aceitar devido àinflexibilidade de Manuel. O Romeiro, compadecido pela desgraça que causara, pede a Telmo que salve a família,solicitando-lhe que diga que o Romeiro é um impostor.Durante a cerimónia da tomada de hábito, Maria surge convidando os pais a mentirpara a poderem salvar, mas acaba morrendo nos seus braços.Manuel de Sousa Coutinho passará a se conhecido por Frei Luís de Sousa e D.Madalena por Soror Madalena. O Romeiro abandona o seu próprio palácio de desaparece.

Romantismo


O romantismo foi um movimento artístico ocorrido na Europa por volta de 1800, que representa as mudanças no plano individual, destacando a personalidade, sensibilidade, emoção e os valores interiores.Atingiu primeiro a literatura e a filosofia, para depois se expressar através das artes plásticas. A literatura romântica , abarcando a épica e a lírica, do teatro ao romance, foi um movimento de vaguarda e que teve grande repercussão na formação da sociedade da época, ao contrário das artes plásticas, que desempenharam um papel menos vanguardista.A arte romântica se opôs ao racionalismo da época da Revoluçao Francesa e de seus ideais, propondo a elevação dos sentimentos acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temática das obras.

O melhor exemplo de Romantismo português é Almeida Garrett, na sua obra teatral Frei Luís de Sousa.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Demagogia


Demagogia é conduzir o povo a uma falsa situação, dizendo ou propondo algo que não pode ser posto em prática, apenas com o intuito de obter um benefício ou compensação.

Contextualizando com o mundo actual, a demagogia está muito associada ao mundo da política e a promessas que não se concretizam.

Almeida Garrett - Obra

Na poesia lírica e narrativa, Garrett publicou algumas obras, como o controverso Retrato de Vénus, os poemas que fundaram o Romantismo português, "Camões" e "Dona Branca", em 1825 e 1826 e a colectânea Lírica de João Mínimo, em 1829.

Quanto à produção literária, o jornalismo é o que mais se destaca. Em 1822 lança o jornal O Toucador, destinado às senhoras. Alguns outros importantes jornais que fundou foram também O Português Constitucional, em 1836 e o jornal teatral O Entreacto, em 1837.

No Teatro publica Frei Luís de Sousa, em 1844, que é reconhecidamente a que melhor demonstra o seu ideal de sobriedade artística, esta obra permanece ainda hoje um texto modelar da literatura dramática portuguesa.

Almeida Garrett - Vida


Almeida Garrett nasceu no porto, em 1799. Aos 10 anos, parte com a família para os Açores, e é lá onde inicia a sua formação literária.

Em 1816, decide seguir estudos de Leis na Universidade de Coimbra. Enquanto estudante, participa no movimento conspirativo, que conduziria à revolução de 1820. Em 1821, surge o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um poema que o levou a tribunal.

Entre 1823 e 1826, Garrett foi forçado a deixar Portugal por questões políticas. Isto voltou-se a repetir entre 1828 e 1831. Enquanto esteve fora, residiu em França e em Inglaterra, onde conheceu o movimento cultural europeu. Também publicou no estrangeiro os poemas "Camões" e "Dona Branca", que foram os primeiros textos românticos portugueses.

Em 1832, regressa a Portugal e participa frequentemente na política do país. Também se empenha na renovação da dramaturgia nacional, criando a Inspecção Geral dos Teatros, o Conservatório de Arte Dramática e o futuro Teatro Nacional. Funda também um jornal de teatros - "O Entreacto" e leva à cena a peça Um auto de Gil Vicente.

Em 1847, descontente com o devir da revolução, afasta-se da vida pública.

Regressa ao Parlamento em 1851 e é feito visconde. Mais tarde, em 1852, é nomeado Par do Reino.

Falece em 9 de Dezembro de 1854.